Sexta-feira, 1 de Junho de 2007
Sento na cadeira preta e fria de frente à ti, espero por redenção.
Tem uma chuva absurda acontecendo lá fora,uma chuva que parece como o meu coração: tempestuosa, aguada e imprevisível.
A janela está aberta,totalmente aberta - quero-a assim para apagar o que eu tenho feito, a pior imoralidade de mim para o meu cerne, curar a mentira da atitude mal feita : fechei as janelas de minha alma.
Os pingos voam alegres e repousam no meu rosto; não me importo.
Eu preciso sentir você, o mundo, eu preciso sentir e sair do meu mundo abstrato, um mundo ao qual criei egocentricamente para esconder-me da realidade e meus problemas materiais. E preciso tanto disso que me entrego sem dificuldades ao tratamento da dor.
Ainda que sejam abstratos, os sentimentos me deixam mais perto da vitória de chegar ao caminho que almejo. É a introdução do livro da minha dor.
Compreender quem sou, refletir , então voar para a terra e finalmente decidir O CAMINHO me parece impossível. Eu corro desesperada entre os corredores da vida e não sei que porta escolher. Há tantas, mas há muito mais insegurança dentro de mim e isso me tolhe completamente.
Mas não quero ser gauche,não quero ser só uma pintura, uma beleza impalpável. Sinto que não nasci para isso; o meu mundo tem poços muito fundos e eles possuem sede de algo que vai além dos aspectos corporais. Eu sei a efemeridade do tempo e o temo.
Se estou dormindo enquanto acordo é porque provavelmente preciso, assim como um bebÊ que trabalha no seu sono eterno. Mas eu não entendo, eu me frusto e grito, e o grito revela a minha dor. Eu não escuto a mim mesma, nem quando sussurro para a minha alma e falo ´´acorde, acorde, o dia já raiou´´. Não recuperei o meu tom, eu o perdi a muito tempo na infância. O que resgatei foram risos estrambelhados como propósito de cura - é apenas o meu ego ferido tentando me surpreender.
O mais incrível é que na minha dor estou rindo. Não choro porque não consigo, mas não luto contra ele, apenas não consigo. O choro é a alma triste saindo do corpo, e a minha anda escondida em bosques, perdidas, entre fadas, elfos e gnomos. O mundo deles não é um mundo de formas.
E eu não gosto do meu.
E então eu sorrio, sorrio para a vida, não há mais o que fazer, apenas sorrir.
Estou aqui, olho para ti, não consigo desviar minha atenção. Teu olhar me cura.
E a redenção não virá, porque eu ela já chegou - é você, que olha para mim e sorri, é você que olha para mim, e numa fração de segundos, me cura.
Você é a redenção em forma de gente, e eu não tinha percebido.
E um simples obrigado não irá dizer o quanto sou agradecida pela tua pessoa, pela alma iluminada que tens aí.
Dou-te o meu coração, é tudo o que tenho de mais sincero e precioso.
Nada mais importa.
(sara m.)
quarta-feira, 30 de junho de 2010
sábado, 26 de junho de 2010
Ainda é.
Acho que foi, primeiramente, aquele desejo de amar encontrado com o meu. Eram gêmeos.
Pousou aí, uma magia de destinos que já pertenciam um ao outro. Azul, da cor da sua aura tão Céu e linda, tímida como o sorriso...
E depois, e não sei como explicar tão objetivamente, aconteceu de eu constatar que a sua imagem já não mais saia da mente. E a tua presença parecia flutuar ao meu redor, como um anjo etéreo de vestes doces. Tua presença já era vida, pulsando dentro de mim, criando raízes que um dia iriam dar frutos à minha alma.
Já era amor. Sempre vivo, preservado, revivido em meu coração com a luz que a tua presença angelical e febrilmente humana me trazia.
sexta-feira, 25 de junho de 2010
Ontem
O gosto do asfalto me foi amargo. Ao contornar um sonho que antes brilhava como o sol, fui buscar muito longe o que hoje é uma mentira. Não sei como cheguei a acreditar que poderia chegar longe sem ter feito nada. Acreditei que era algo palpável, mas era apenas mais uma procastinação consequente da minha misantropia. E do meu desequilíbrio. Foi então assim, e de qualquer jeito, que emaranhei todos os galhos que haviam no meu bosque interno. Não podei as árvores, e o jardim foi crescendo.
Chegou a uma proporção tão desgraçada que, por um instante, não ousava colocar um pouco de lirismo para ver se me curava. Poderia ser a fonte da cura, mas me enganava sabendo que precisava estar ao lado do sol que me aquecia. E em minha veia nova, de menina inocente, em um mundo novo e pouco explorado percebi como era guerreira - mas não tinha noção alguma do que era a vida real.
O mundo me chamou ao seu encontro e então, em um impulso, me deixei levar. Ainda procuro a finalidade de percorrer um caminho sem saber achar-se. Por que, talvez, e para o meu espanto, eu só consiga ser uma miserável pergunta sem resposta.
Naquela época, o medo não gostava de ser meu companheiro, agora, ele quer casar comigo e eu o tenho mandado embora todos os dias...
Exupery
“As pessoas grandes adoram os números. Quando a gente lhes fala de um novo amigo, jamais se informam do essencial. Não perguntam nunca ‘Qual é o som da sua voz? Quais os brinquedos prefere? Será que ele coleciona borboletas?’ Mas perguntam: ‘Qual é sua idade? Quantos irmãos tem ele? Quanto pesa? Quanto ganha seu pai?’ ” (pp. 19-20)
O Pequeno Principe.
quarta-feira, 23 de junho de 2010
Ao mar
Aquela mensagem oculta pulsava nas curvas escuras do meu coração como um gato preto, de olhos cintilantes, que se esconde sorrateiramente, prestes a dar o seu pulo felino. Peluda, de olhos verdes fulmegantes e hostis. Meu medo e incredulidade faziam ali, uma dança entre o impasse daquela mentira e a busca da verdade. Não era preto, nem verde, mas era carbonizada, era também aquela mancha de óleo impertinente na superficie de um oceano. Não sabia se me guiava por ela, ou se seguia as estações da chuva de forma imprudente e sem destino; em que sentido comparte esse lado oculto que cria feridas inconsequentes em mim?. E desde quando eu não poderia ser a melhor confidente daquele soldado do mistério?. Continuo a não elaborar tantas perguntas para não perder-me nelas, mas a curiosidade ainda parece ser muito convidativa ao meu estado que não chora, mas sente sede de descobrir e descobrir-se através de um jardim de confidências seguras e leais.
Um céu.
[...]...Conforme eu disse, não eram os olhos que feriam. Era a ausência deles. Era aquela plastificação barata ao redor dos olhos, como se fossem fabricados de qualquer maneira, que me espantavam. Não possuiam uma direção, não emanavam calor - era uma vida sem alma, vazia, incontundente, dismorfica e apodrecida. Alí, a ignorar a minha presença disposta e incondicional, morrendo por um sentimento de vitrine. Minha razão dava gritos de raiva ao constatar que a boca proclamava um amor, a contra ponto daqueles olhos mortos e dissimulados. O corpo falava mais que o resto de seu mundo; e eu me enganava cada vez mais, ao envolver-me nas palavras que açucaravam meus instintos mais frágeis, me entortavam o céu, me roubavam a paciência de ouro.
Era tão mal feita a reciprocidade contra a minha verdade!
terça-feira, 22 de junho de 2010
Como se fosse real...
O mundo queima lá fora e eu não vejo a fumaça. Os homens brigam lá foram, e eu não vejo a paz. É sempre a mesma questão. Sempre a mesma cobiça do PODER. Do dinheiro. Das terras. De toda essa porra ideológica que criam em torno de tudo criando ainda mais raiva carbonizada.
Não preciso nem de virgulas para gritar.
sábado, 19 de junho de 2010
Meu olhar.
Esses meus olhos ignorados, desencontrados, já não sabem onde pousar. São, por diversar vezes, tão tristes que incomodam até os santos das igrejas. As vezes choram, ficam vermelhos e apagados mas, ainda rastejantes, olham para a frente, correm ao horizonte de um sol brilhante. Sofrido, mas não contido. Ainda sabem mandar amor, mesmo que seja cuspido. Ou ainda que, insistentemente, sejam profundamente melancólicos.
terça-feira, 8 de junho de 2010
Confessionário.
0
Eu te confesso: minha alma vibra de encontro a tua. Tens sido a minha bandeira branca.
Não faz nem sentido que meus olhos não ateiem fogo quando te veem; do sopro, a tamanha chama que aqui se arde, nada consegue apagar. Aquece e não queima.
Me chama, por que eu te amo. Sopra no mar as minhas sílabas por que eu ainda quero te amar...
segunda-feira, 7 de junho de 2010
paixões.
quinta-feira, 3 de junho de 2010
Devolva-me
eu não pude deixar de olhar para tras. foi inevitável, era o meu desejo saindo da garganta, atravessando os átomos do ar e tentando invadir a figura desalmada de tua pessoa, que fugia de mim. Corria sem parar, para que? você não pode fugir de alguem levando consigo um pedaço dela. Você não sabe, mas esse coração que aqui reside não-sei-onde ainda pulsa em tuas mãos. Não sei para onde tuas pernas te levaram, mas algo meu ainda ficou contigo. estou esperando que o tragas de volta, do mesmo modo como eu o te dei - por que ele é de ouro, e não sei se tu teve a audácia de vende-lo a qualquer vagabundo. Essa jóia rara e amarela que um dia brilhou ofuscando a tua visão, agora anda perdida pelo mundo. nao sei o paradeiro deste pobre coração, mas se um dia tiveres um pouco de compaixão, sinta que um dia ele pulsou com vigor por vc e por favor, me devolva.
Meu amor, infelizmente, não pode ser teu.
Desespero.
Procuro nas farmácias o que a imaginação apenas me vende. É um tal de desespero que dói, e não há analgesicos para isso. Não há tranquilidade que repouse quando o tempo passa, as horas se turvam e meus braços fogem dos teus. Ir para canto algum sem você, não é ir. É FICAR estagnada, congelada pelo tempo, esperando que tu voltes e me aqueça. Destes olhos febris, só podes tiram o aconchego pra tua alma, nao mais é porvir. Nem o sentido que emprego aqui é cabivel à minha razão. Eu busco a companhia desenfreada de letras sem sentido por que dói a tua ausencia. E essa ferida já tão aberta e exposta em mim, criara pus. AMARELO. da cor do sol. queima e arde a cada dia que passa. E esses intervalos de tempos levam a minha emoção, levam o que eu não quero saber. Levam você, levam a sua paciência. Leva o seu amor?
Mas NÃO LEVAM VOCÊ DE MIM.
Desistido.
Hoje, finalmente, a tristeza chegou do meu lado e sussurrou no ouvido: ´´estou aqui´´.
Eu já estava esperando a visita retornar, embora estivesse colocando barreiras ao meu redor, tentando fugir desse estado sufocante que ela me provoca. E eu já não sei o que faço. Não há mais lágrimas a escorrer, só há uma esperança latente que é muito tímida. Meu laconismo parece querer ser mais fiel a cada dia, talvez por que assim, eu possa esquecer os meus problemas e tornar-me inteiramente fria. Sem calor, sem me importar com o que dói por dentro. Sem saber que eu não posso ter o que sempre esperei a vida inteira. Esquecer ou enfrentar? esse medo do que esta por vir abrange toda a minha felicidade. Sou aquele remador que tem medo de sair do barco e pisar em terra firme, ou talvez eu não seja nada. Nem sei se eu nasci. Não sei se soube um dia o que era viver; o que apenas cabe é mim é uma intima necessidade de acolhimento, de um abraço, de voltar a sorrir pelos cantos do mundo sem esperar por Godot. Nós esperamos por um abraço e apenas recebemos uma crítica. Aí é que entra a velha história... Não sei se o que tenho feito ou fiz foi certo ou errado. Não sei se fui vítima. Eu apenas sei que meu coração falava uma coisa e eu fazia outra...
Eu não consigo me acostumar a ser tão triste assim. Eu não posso me permitir ser infeliz a vida toda - essa é a única força ao qual ainda consigo clamar.
terça-feira, 1 de junho de 2010
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