Então ele havia partido. Para o céu? não sei. O corpinho ferido devido à doença, enfaixado em forma de um laço, era muito triste. Era um presente da dor. Ele não poderia ter ficado; não, eu sabia que não. Lembro-me do seu olhar preto e inocente. Da sua maneira de chamar atenção para pedir carinho - foi como um daqueles presentes da vida que te fazem crescer. As vezes, sinto-o perto de mim, como se pudesse ainda sentir sua presença concreta e ouvir a voz que ele não possuia. Me tocava. E me fez mais compreensiva, mais amorosa. Um amor incondicional.
A vida passa tão rápido para alguns. Se eu soubesse que estava vendo-o pela ultima vez quando parti, o teria abraçado e dito ´´te amo´´, mesmo que ele não pudesse entender. Parado na porta, a fitar-me, parecia que realmente estava querendo dizer adeus de maneira silênciosa.
Então chorei. Chorei por que senti o que iria acontecer. Intimamente, sabia que aquele era um Adeus.
Olhei para trás e deixei que a imagem dele, pequenina, pudesse permanecer de forma doce na minha mente.
Sei que ele sentiu o meu amor.
E o que eu dói, agora, é uma saudadezinha que me visita de vez em quando.
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