Não consegui formular um pensamento lógico para entender como uma criatura, supostamente humana, tivera coragem para deixar aquele pequeno cãozinho sozinho.
Era um vira-latinha diminuto, caramelo, olhos enormes e pretos que brilhavam mais que o céu. Olhos estes que eram iguais aos de um bebê humano: puros, inocentes, frageis. o rabinho balançava quando me aproximava, tão ingenuo, tão convidativo ao seu mundinho, tão tocante era ele! Uma coisinha linda tão amorosa, me saudando silenciosamente, mas da forma mais alegre e sincera que eu já percebera.
Aquele bebê abandonado em beira de estrada não era do animal Humano, mas era um animal. Um bebê cão, que embora não falasse ou chorasse, também sentia dor, frio, medo e fome. E embora também não pensasse, possuia o poder da afetividade, algo que o humano, animal hostil, não consegue sustentar por muito tempo.
É, mas talvez a afetividade seja uma virtude maior que o pensamento.
- Não abandone animais, doe. Peça para alguém cuidar, presenteie-os. Animais são sagrados!
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