sábado, 6 de agosto de 2011

coração congelado...

Nevava. Nevava demais ao meu redor. O branco puro me dava uma especie de pânico, minhas mãos já estavam ficando anestesiadas. Eu realmente odiava aquele frio.
não sabia para onde ir, estava perdida em um deserto de gelo,um deserto inteiramente branco e esteril.
Eu queria perder a paciência, deitar naquele colchao de gelo fofo e afundar nele, congelar até que meu corpo desistisse de gerar calor.
Mas havia algo que lutava dentro de mim, uma imagem, uma imagem gloriosa que não se apagava. Era tão doce que aquecia.
Por dentro, pedia fervorosamente que um anjo viesse do céu e me tirasse dali.
Queria ir de encontro ao que pulsava dentro de mim, ao amor que eu havia visualizado dentro de mim, e eu sabia que ele estaria alí, em algum lugar perdido.
Como pudera ir tão longe, em busca de solidão e silêncio? como pudera estar agora arrependida pelo ato idiota que havia cometido?. Como escolher as correntes da crença e da desesperança?
Eu caminhava a prumo, com minhas botas pretas cheias de neve, atordoada, quase chorando, em busca, eternamente em busca.
Em busca de quem precisava de mim.
Meu corpo todo dolorido, era fonte de uma tristeza que virara minha companheira velha; havia acostumado-me a dormir em torno dessa solidão que a tristeza me trazia, quando estava perto de mim e deixava marcas em minha pele
Cansava, mas havia amor demais em meu coração, e isso me levava como em uma correnteza do rio.
É, então corri. Eu ouvira o barulho de um animal se aproximando devagar, depois, em uma olhava pude confirmar. Não sabia que animal era aquele, minha mente se turvara na adrenalina e no instinto de sobrevivencia.
Minhas pernas me levaram ao mais longe possível, meu corpo me levava, tudo me levava, quem me levava? Eu já não morava mais em mim.
O corpo cansado e dolorido, a mente confusa e o coração solitário tornavam-me um pacote de vida sem alma.
E então, eu desmaiei. Acho que apaguei por que quis me entregar, tinha chegado ao limite toda aquela loucura. Não suportava mais. Só queria encontra-lo.
Sim, foi uma boa sensação,todas as imagens na minha mente, o sorriso e aqueles olhos a fitarem-me me deixaram em extase. Era como presenciar o milagre mais lindo da vida. O animal já não estava mais lá (era apenas fruto de minha imaginação?); então me entreguei.
Meu corpo ali deitado no gelo, e a mente devagar, fraca...tentando sobreviver, apagou por um tempo ao qual eu não pude calcular, apenas me entreguei.
Foi então que, subitamente, alguem se aproximava.
Não soube como explicar, mas senti a presença ali com a minha intuição; uma alegria contagiou todo o meu corpo, como se uma carga eletrica estivesse me atingido.
Era algo incrivelmente surreal. Aqueles passos lentos tão familiares chegaram perto, tocou o meu rosto e depois o pulso.
Um toque quente e macio, depois uma voz aveludada ´´você está bem´´?, e meus olhos ainda tentavam entrar em foco para olhar um homem de olhos triste e barba mal feita.
Ele, era simplesmente ele - era ele quem aparecia em meus sonhos, chamando o meu nome, contando-me estorias. Era ele alí, como no sonho ( eu estava sonhado ou havia entrado no paraíso)...aquele homem era apenas um anjo ou eu havia encontrado a minha busca?

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