Talvez fosse o medo. Ele esteve ali rodando o meu corpo dia e noite, sem cansar, e ainda possuia um sorriso amarelo e medonho.Era só o que me faltava - um medo que não limpava os dentes, um medo que comia felicidade e só deixava sujeiras para trás!
Nada poderia ter sido pior do que constatar aquele espectro malfadado a querer engolir-me por inteira. Era como um visigodo emaranhado em seus costumes brutos; eu a querer fugir a todo vapor como um trem que sai sem esperar ninguém.
Sempre fui covarde - sempre fui a leitora assídua que viaja por uma história sem chegar ao fim com medo do que poderá encontrar. Não sabia como enfrentar, aquele medo queria me dominar por completo, obstruir meus pulmões, calar o meu choro e cortar os ventrículos do meu coração.
Poderia restar-me a alma, sabe? mas é que lá fora, em um mundo escaldando de realidades feias, meu corpo precisava estar presente. Não por uma vontade minha, mas por amor aos que precisavam daquela missão que parecia ser árdua para o meu corpo frágil...
A historia parecia congelada, ali, sempre parada. Eu e o medo, o medo e eu. Quase um romance falso, de fachada, como armários bonitos para ocultar um cena enfadonha.
Quase uma dupla perfeita - não, mentira,o medo era mais um personagem enviado dos infernos para prejudicar o meu destino sensivel. E por que diabos eu já não havia cortado a garganta dele?
Ali, tão rente à razão, seu olhar era traiçoeiro. Meu corpo, tão quente pela raiva de estar aprisionada, gritava por liberdade, por uma brisa de verão que lhe sustentasse a mão e fizesse sua vida mais fresca e leve.
É, exatamente. São como fantasmas que não nos deixam em paz, sabe? eles podem surgir do norte ou do sul, trazidos pelas tempestades ou pelos ventos.
Que poderia eu fazer senão fugir? fugir da forma mais suja, adentrar dentro do meu sono mais profundo para buscar certezas que eu não poderia encontra jamais se estivesse sóbria? doloroso, mas a culpa sempre fora minha.
Por que ñao o enfrentei, desde o começo? ali o fio começara a se emaranhar, e eu fechando os olhos, numa síntese de mentiras irritantes. Buscava ajuda e não a alcançava, nem código morse a achava.Era prisioneira do meu próprio medo, ali, de uma forma tão inédita e burra.
O mais estranho é que, a cada dia que passa, mais envelheço e sinto que fico mais jovem. Imatura. Perdida. Criança em emoção. Medrosa.
Eu, que outrora reluzia uma tímida coragem dentro de mim, ja não sou possuidora de uma desbravante vída heroíca.
E é isso o que dói, só isso.
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